Se tem uma coisa que me deixou desnorteado por aqui foi o tal do bairro da Liberdade. A sensação é um tanto quanto estranha. Você está no Brasil e ao mesmo tempo no oriente. Tive o cuidado de falar oriente e não apenas Japão porque, embora o bairro seja conhecido por ser japonês, aqui você encontra muito chinês e coreano também.
Os postes das ruas do bairro são decorados com “lanternas japonesas”.

Os bancos possuem comunicação especial para os amigos orientais.

A sensação que passa é que o estrangeiro sou eu. As embalagens dos produtos nos mercadinhos são todas em japonês (chinês ou coreano… depende do mercado).

Você deve perguntar: Mas tem legenda com o preço, né? É só ler e saber o que é, certo? Rá! Então me diz o que danado é “Katokichi Sanuki Kitsune Udon”.

A única coisa que entendi é que custa 9 reais e 80 centavos :)
Outra coisa interessante é ser acordado as 5 da manhã com música oriental bem suave enquanto os moradores do bairro exercitam o “Tai sô” (tenho que pesquisar para ver como se escreve, eles falam assim mesmo “tai sô”), uma espécie de ginástica matinal antes do trabalho, parecido com o que acontece no primeiro episódio de Heroes, quando Hiro Nakamura se exercita olhando para o céu enquanto algo inexplicável acontece.

No mesmo lugar, algumas horas depois, todo final de semana acontece a “Ferinha da Liberdade”. A Praça da Liberdade se transforma. O “vão livre” dá lugar a várias barraquinhas com produtos variados. O destaque vai para a barraquinha que vende Yakissoba: sempre lotada.

Pois é. Era isso que eu tinha pra dizer. Claro que tem muito detalhe, mas isso eu vou descobrindo com o tempo. Ainda no mercadinho, por exemplo, descobri que lá eles não comem queijo. Tempos depois eu ví algo bem parecido com queijo. Corri para ver o que era e adivinha o nome? “Tofu”… Pensei: realmente eu estou fú!
